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Uso controlado
Saúde

O uso do amianto passou por muitas fases. Constantes pesquisas e estudos foram, com o tempo, eliminando os riscos da atividade e propondo soluções para garantir a segurança de todos. Hoje, os riscos do crisotila constituem não em uma questão de saúde pública, mas de saúde ocupacional.

Os primeiros relatos sobre o amianto são de autoria de um médico inglês, Doutor M. Murray e foram publicados em 1906. Didaticamente, os estudos sobre o amianto podem ser agrupados em três fases:

A primeira fase vai até 1959, onde foram descobertas importantes minas em todo o mundo. Novas aplicações para a fibra também foram desenvolvidas. Mas, neste período, o amianto foi empregado principalmente como isolante térmico e elemento de proteção contra o fogo nas indústrias naval e civil, tendo participação decisiva na reconstrução após as duas guerras mundiais.

Primeira metade do século XX

Na Europa e nos EUA, grande parte do amianto (até 40%) era usada na produção e aplicação de produtos isolantes, geralmente na forma de jateamento. Tratava-se de produtos friáveis, que provocaram as maiores e mais graves exposições conhecidas de trabalhadores. No Brasil, devido ao seu clima tropical, esse uso e aplicação nunca foram incentivados. Durante esse período, a maior parte do amianto consumido nos Estados Unidos e na Europa era do tipo anfibólio (amianto azul e marrom), em percentual acima de 20%. No Brasil utilizou-se muito pouco o anfibólio.

1960

Estudo do epidemiologista inglês Dr. J. C. Wagner relatou 33 casos de mesotelioma, um raro tumor da pleura, em trabalhadores das minas sul-africanas de amianto azul e também em pessoas que residiam próximas às áreas de extração ou que transportavam o minério. Outros estudos se sucederam, mostrando vários casos de câncer de pulmão em trabalhadores americanos que aplicavam isolantes em navios.

1964

O Dr. Selikoff apresenta novos trabalhos sobre doenças pulmonares relacionadas com o amianto observadas em outros países, como nos Estados Unidos. Esses relatos preocupantes tiveram grande repercussão nos meios de comunicação de massa. A eles somou-se um grande volume de estudos publicados até 1975, relacionando o amianto com quatro doenças principais:

Afecções benignas da pleura

Além das doenças descritas, a exposição às fibras de amianto pode causar algumas alterações de pleura, como áreas de espessamento, derrames ou placas pleurais. São consideradas benignas porque raramente provocam alguma deficiência pulmonar, sendo interpretadas apenas como um sinal de exposição ao amianto. Não há relação com disfunções ou doenças pulmonares, como a asbestose e o câncer.


Asbestose

Doença pulmonar relacionada com a prolongada inalação de poeira contendo alta concentração de fibras de amianto. As fibras alojam-se nos alvéolos pulmonares, e para se defender, o organismo deposita sobre elas uma proteína semelhante a um cimento, que cicatriza o alvéolo e impede que se encha de ar. Esse processo, repetindo-se ao longo dos anos, pode tornar o pulmão fibrosado e sem elasticidade, levando a dificuldades respiratórias.

A asbestose é similar à silicose, causada pela exposição à sílica. Clinicamente, não é possível que uma pessoa com asbestose tenha também silicose.

Período médio para o aparecimento da doença: 15 anos.


Câncer do pulmão

estudos indicam que o risco desse câncer é maior entre os fumantes. Ou seja, o fumo aliado à exposição às fibras constitui um fator de risco importante. Novas pesquisas mostram que o risco desse câncer parece restrito aos trabalhadores com evidência radiológica de asbestose.

Período médio para o aparecimento da doença: 20 anos.


Mesotelioma

É uma forma muito rara de tumor maligno que se desenvolve no mesotélio (membrana que envolve o pulmão, o abdômen e seus órgãos).

As fibras com maior biopersistência (longas e finas) apresentam maior risco para esse tipo de câncer. Isso explica porque a imensa maioria dos casos de mesoteliomas observados nas pesquisas está relacionada com a exposição aos anfibólios (amianto azul ou marrom).

Estudos mais recentes indicam que a incidência do mesotelioma na população geral no Canadá, nos EUA e na Inglaterra é de 1 a 6 casos anuais por milhão de pessoas.

O mesotelioma não é uma doença que se manifesta, exclusivamente, em trabalhadores das minas ou indústrias do amianto. Essa doença também não tem relação com o hábito de fumar.

Período médio para o aparecimento da doença: 30 a 40 anos.


Neste período, as condições de trabalho eram muito agressivas à saúde dos trabalhadores. Havia uma intensa exposição à poeira do amianto, principalmente nas minas e na aplicação por jateamento (spray) de isolantes térmicos em navios, casas e prédios. As concentrações de fibras no ar, em especial durante o jateamento, eram absurdas quando comparadas aos padrões atuais, variando de algumas centenas a mais 1.000 fibras/cm³. No Brasil, o limite permitido pela legislação é de, no máximo, 2 fibras/cm³. Porém, a Mina de Cana Brava e as indústrias de fibrocimento, através do uso controlado e responsável do amianto, trabalham com o limite de 0,3 a 0,1 fibras/cm³.

Por volta de 1980 foram desenvolvidas medidas para o controle da poeira nos locais de trabalho. Enquanto os estudos divulgados entre 1964 e 1975 mencionavam casos de exposição a mais de 100 fibras/cm³, os trabalhos mais recentes mostravam os efeitos de poeiras com níveis muito mais baixos, de menos de 5 fibras/cm³, em que já não são detectadas alterações pulmonares. Os estudos mais recentes garantem que:

  • O amianto só pode ser nocivo a um órgão do corpo humano: os pulmões. Isso facilitou o desenvolvimento de métodos de controle ainda mais eficazes.
  • Somente os trabalhadores expostos, durante longos períodos, a altas concentrações de fibras, fazem parte de grupo de risco. Os trabalhadores das indústrias que seguem as regras do uso controlado estão totalmente seguros.
  • Os casos de doenças na primeira fase dos estudos estavam associados principalmente à exposição aos anfibólios, tipo de amianto cuja taxa de biopersistência é alta. Atualmente, apenas o amianto crisotila é utilizado.

Biopersistência: tempo que uma susbstância permanece no organismo. No caso do amianto, significa o período que as fibras do mineral permanecem no organismo. É esse período que confere ao mineral o seu potencial cancerígeno.

Diretiva determinada pela Comunidade Européia considera que apenas as fibras que apresentam biorpersistência superior a 10 dias são consideradas cancerígenas. As diferentes composições dos vários tipos de amianto determinam a sua absorção pelo organismo. Veja abaixo a diferença entre as taxas de biopersistência dos amiantos anfibólios e crisotila.

Amianto anfibólio

El amianto anfibólio, conocido también como amianto azul o pardo, posee alta concentración de hierro (elemento químico no-absorbido por el organismo) y es formado por fibras rígidas, rectas y puntiagudas. La tasa de biopersistencia de esta variación del mineral es de más de un año. Esas características lo vuelven potencialmente cancerígeno y, por esto, su utilización fue prohibida en todo el mundo.

 


Amianto crisotila

Já o amianto crisotila, utilizado no Brasil, e conhecido também como amianto branco, possui em sua composição alta concentração de magnésio, que é facilmente absorvido pelo organismo. Suas fibras são curvas, sedosas e sem pontas e sua taxa de biopersistência é de no máximo dois dias.


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